DWIGHT LYMAN MOODY, O GANHADOR DE ALMAS
Dwight Lyman Moody nasceu em 5 de fevereiro de 1837 no interior de Connecticut, nos Estados Unidos. Era o sexto de uma família de nove filhos. Seu pai faleceu quando ele tinha quatro anos. Sua mãe estava grávida de gêmeos e seu irmão mais velho tinha 12 anos. Apesar da sugestão de parentes para que sua mãe entregasse as crianças para a adoção, ela não fez isso. Os credores tomaram tudo da família, até mesmo a lenha usada para aquecer a casa no inverno. A situação deles ficou tão precária que as crianças permaneciam na cama até a hora de ir para a escola, a fim de se manterem aquecidas. Ele e seus irmãos iam descalços assistir ao culto e só colocavam as meias e os calçados quando entravam na igreja, a fim de poupá-los do desgaste.
Moody frequentou a escola até o quinto ano, apenas. Ele não se saía bem nos estudos e precisava ajudar a família a ganhar o sustento. Sua caligrafia era horrível e seus escritos continham muitos erros ortográficos e gramaticais. Ele tropeçava na leitura em voz alta e, segundo uma brincadeira feita pelo seu grande amigo Charles Spurgeon, Moody era a única pessoa que ele conhecia que conseguia pronunciar “Mesopotâmia” em uma única sílaba. Apesar de todas as suas limitações, Deus usou o ministério desse servo para ganhar mais de um milhão de almas para Cristo através da pregação.
Quando Moody tinha dez anos, ele e um dos seus irmãos foram trabalhar em uma fazenda que ficava a 20 quilômetros de sua casa. Quando ele completou 17 anos, abandonou a vida no campo para tentar a sorte na cidade grande. Ele se mudou para Boston, mesmo sem possuir nenhum dinheiro. Apesar das dificuldades iniciais, conseguiu emprego na sapataria do seu tio. Ali acabou se revelando um grande vendedor, e com menos de 23 anos já tinha uma boa economia guardada. Contudo, Deus tinha outros planos para a vida daquele jovem.
Apesar de vir de uma família muito religiosa, Moody não entregara ainda a sua vida nas mãos do Salvador. O instrumento que Deus usou para levá-lo a Cristo foi seu professor da escola dominical, Eduardo Kimball. Um dia ele resolveu visitar o seu aluno na sapataria onde trabalhava. Encontrou Moody no fundo da loja, empacotando sapatos. Ele se aproximou do jovem de 18 anos e, colocando a mão sobre o seu ombro, fez a ele um apelo direto para aceitar a Cristo. O jovem entregou a vida a Jesus no mesmo instante — uma decisão que mudaria o destino daquele rapaz para sempre. Naquele momento nasceu não apenas um filho de Deus, mas se acendeu nele uma chama de zelo missionário que jamais se apagaria nas pouco mais de quatro décadas seguintes da vida de Moody.
1. O missionário determinado
Quando estava com 20 anos, Moody mudou-se para Chicago. Naquele tempo as igrejas tinham o costume de alugar os assentos nas igrejas. Ele resolveu pagar o aluguel de um banco e, para preenchê-lo, buscou pessoas nas ruas, hotéis e pensões da vizinhança. Assim ele conseguiu lotar quatro bancos todos os domingos no culto com seus visitantes. Não satisfeito, procurou uma escola dominical missionária da North Wells Street e se ofereceu para ser professor em alguma classe de jovens.
O grupo tinha 16 professores voluntários e 12 alunos que frequentavam o local. Eles, então, lhe disseram que, se quisesse uma classe, teria de arranjar os seus próprios alunos. No domingo seguinte ele trouxe 18 meninos esfarrapados que encontrou na rua. Em pouco tempo o prédio ficou pequeno para receber todos os que queriam ouvir as aulas daquele jovem missionário. No ano seguinte, quando Moody estava com 21 anos, um salão maior foi alugado em outro lugar de Chicago. O novo ponto de pregação ficou pequeno rapidamente, e teve de ser trocado por outro no qual cabiam 1500 pessoas sentadas. As crianças estavam aceitando o evangelho e os pais começaram a frequentar as reuniões para ver o que estava acontecendo. Dwight começou a realizar cultos quase todas as noites. Seis anos depois, esse grupo evoluiu para se tornar a Moody Memorial Church.
Aos 22 anos, Moody ficou noivo de Emma Revell, uma das professoras que lecionava na escola dominical que ele fundara. Três anos depois eles se casaram e permaneceram unidos por felizes 37 anos. Suas últimas palavras antes de morrer foram dirigidas a ela: “Tu tens sido uma boa esposa para mim”. Ela era mais refinada, e ao longo do ministério do marido procurou ajudá-lo a compensar a sua falta de cultura. Apesar das suas limitações educacionais, os frutos do seu esforço evangelístico eram notórios, e logo alguns empresários famosos começaram a investir recursos financeiros no seu ministério. Eles foram tocados pela sua integridade e pelo amor que demonstrava pela causa de Deus.
Quando estava com 24 anos, Moody abandonou seus negócios e passou a se dedicar exclusivamente à pregação. Ele dividia seu tempo entre os projetos sociais e religiosos entre a Associação Cristã de Moços (ACM) e as classes de escola dominical. Durante a Guerra Civil Americana (1861-1864) ele distribuiu literatura religiosa, Bíblias e cobertores entre os soldados e prisioneiros do conflito. Naquela época ele realizava de oito a dez cultos todos os dias com os militares, tanto do sul quanto do norte.
Com o fim do conflito, Moody começou a receber convites para pregar em diferentes lugares. Em uma convenção da ACM realizada em Indianápolis, em 1870, ele ouviu Ira David Sankey cantar pela primeira vez. Ira tinha um bom padrão de vida, trabalhando como coletor de impostos. Ele era filho de um congressista estadual. Moody aproveitou uma oportunidade para chamar o jovem para uma conversa particular. Ele então lhe disse: “Você vai ter de deixar seu emprego. Tenho procurado por você nos últimos oito anos”.
Em um primeiro momento, Sankey hesitou. Contudo, Moody marcou um encontro com ele para o outro dia, no centro da cidade. Quando Ira chegou ao lugar combinado, o destemido pregador ordenou que ele subisse em um barril e começasse a cantar. Sem tempo para pensar, obedeceu, e quando deu por si, já estava cantando Am I a soldier of the cross? [Eu sou um soldado da cruz?]. Uma multidão de operários que voltava para casa se agrupou em torno dos dois, e Moody começou a pregar. Naquele momento nasceu uma parceria que iria impactar, nos próximos anos, tanto a América quanto as Ilhas Britânicas.
2. Moody como pregador
Quando Dwight visitou a Inglaterra, em 1867, teve a oportunidade de conhecer o pregador Charles Spurgeon, bem como George Müller, conhecido pelos orfanatos que mantinha apenas
Além da pregação poderosa e impactante, Moody fundou uma escola para rapazes e outra para moças em Northfield, Massachusetts. Estabeleceu o mundialmente famoso Moody Bible Institute [Instituto Bíblico Moody] em Chicago, e o Bible Institute Colportage Association [Associação de Colportagem do Instituto Bíblico] para espalhar literatura cristã a preços módicos por todo o território americano.
As mensagens de Moody eram simples, mas produziam impacto. Ele não podia creditar seu sucesso à erudição porque não a possuía. Há três fatores que explicam o sucesso desse pregador. Em primeiro lugar, ele amava a Bíblia, pois acordava às quatro horas da manhã, todos os dias, para lê-la. Ele então intercalava seu estudo com oração. R. A. Torrey, que conviveu com ele, disse que Moody foi ainda mais notável como homem de oração que como pregador. Por último, ele era um homem cheio do Espírito Santo. Henrique Moorehouse, pregador escocês, identificou quatro características na pregação de Moody que o distinguia dos demais pregadores que conheceu.
Em primeiro lugar, Moody cria que o Evangelho tinha poder para salvar o maior dos pecadores. Em segundo lugar, ele esperava que a pregação fiel da Palavra produziria frutos e conversões. Em terceiro lugar, ele pregava como se fosse a última vez que fosse fazer isso, como se o ouvinte não tivesse outra oportunidade de ouvir as boas novas. Por fim, ele colocava a igreja para trabalhar depois do culto. Ele contava com a ajuda dos crentes para aconselharem os novos conversos nos caminhos de Jesus.
Por que os pregadores dos nossos dias não fazem o mesmo? Se Deus usou a D. L. Moody, Ele pode fazer o mesmo com você. Basta colocar-se em Suas mãos, como fez aquele servo do Senhor.
Observador da Verdade, 2017.